Página Inicial Mesa redonda discute implicações da PL das terceirizações para a pesquisa cientifíca
Mesa redonda discute implicações da PL das terceirizações para a pesquisa cientifíca
Qua, 13 de Maio de 2015 17:42


 

Uma mesa redonda realizada no Campus de Pesquisa do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) nesta terça-feira, 12 de maio, contou com a participação de duas professoras da Faculdade de Ciências Sociais da UFPA, além de debatedores do próprio MPEG. Com o tema “As terceirizações e os impactos no fazer científico: os desafios para a aprovação do Projeto de Lei (PL) 4330”, o evento fez parte da programação do Seminário InterDiálogos, promovida mensalmente pelo Laboratório de Antropologia dos Meios Aquáticos (Lamaq) do Museu.

Na apresentação da mesa, a professora doutora Lourdes Furtado e o antropólogo Guilherme Bemerguy, membros do Lamaq, ressaltaram a importância do Seminário InterDiálogos se abrir para questões mais globais, além da temática da produção antropológica que é normalmente discutida. “É fundamental discutirmos esse assunto porque impacta diretamente na nossa atividade de pesquisadores. Se acontecer a terceirização nesse âmbito, como ficamos? A busca pela produtividade, que já é uma realidade, será acentuada, e isso comprometerá a qualidade e a ética das pesquisas”, pontuou Bemerguy.

Compuseram a mesa redonda as docentes da Faculdade de Ciências Sociais, professora doutora Andréa Chaves, diretora ajunta do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), e a professora mestra Suelene Pavão, diretora da Associação de Docentes da UFPA (Adufpa). Representando o Museu Goeldi, estiveram o presidente da Associação de Servidores do MPEG, Mario Cruz, e Nilton Machado, do Núcleo de Inovação Tecnológica.

A professora Andréa Chaves fez um apanhado histórico do surgimento da terceirização, ocorrida no Japão a partir do modelo toyotista e que se espalhou pelo mundo. “É uma perspectiva de eliminação dos custos trabalhistas e flexibilização dos contratos de trabalho, que já vivemos no Brasil há mais de três décadas, inclusive na própria UFPA. Na década de 90, já pairava entre os docentes a preocupação de que não houvesse mais concurso público para a universidade”, recorda a especialista em Sociologia do Trabalho.

O sindicalista Mário Cruz apontou a realidade de irregularidades com empresas terceirizadas já vivida pelo MPEG. “Tivemos contrato com empresa que recolhia contribuição dos funcionários mas não repassava ao INSS. Se a PL 4330 passar, esse processo tende a se intensificar. É uma lei que penaliza o trabalhador”, afirmou. Já o advogado Nilton Machado lembrou que, com o texto atual, o projeto de lei não se aplica a instituições como UFPA e MPEG. “Temos a esperança de que esse texto seja mantido. Como é possível valorizar a área de Ciência e Tecnologia, estratégica para o desenvolvimento do país, num contexto de precarização das relações de trabalho?”, questionou.

A professora Suelene Pavão lembrou que, na conjuntura atual, não é apenas a PL 4330 que compromete os direitos dos trabalhadores, conseguidos a duras penas. “Tivemos as medidas provisórias de dezembro do ano passado, alterando direitos como pensão e seguro desemprego, e também a votação de uma ação direta de inconstitucionalidade em abril, que decidiu pela validade dos convênios do poder público com organizações sociais. Todo esse conjunto representa uma ofensiva do capital para privatizar o serviço público no país”, denunciou.

 

 

 

 

 

 
 

Links Relacionados

CAPES

PROPESP

ANPOCS

ABANT

SBS

FINEP

CNPQ

PERIODICOS

SCIELO

IFCH